sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sal, muito além da pressão - Sódio em excesso ainda pode contribuir para ganho de peso, pedras nos rins e até câncer. Entenda por que não adianta só abolir o saleiro


Ele é o ingrediente da vez na pauta das indústrias que buscam tornar seus produtos mais saudáveis. O mineral, que é o principal componente do sal de cozinha, tem visitado bem além da conta a mesa dos brasileiros. A questão não se restringe aos abusos na hora de salgar as refeições. São os altos teores que se escondem entre centenas de alimentos que preocupam as autoridades (veja o ranking). Tanto é que um documento* assinado recentemente propõe a redução do nutriente em itens bastante vendidos no mercado. "Baixar o consumo de sódio é uma das medidas mais custo-efetivas em termos de saúde pública, uma vez que repercute no combate às doenças crônicas, primeira causa de morte e de gastos em tratamento no país", declara Patrícia Jaime, coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), esse desafio visa render resultados tão significativos quanto os obtidos com a retirada da gordura trans de vários produtos desde 2009. São medidas importantes não só para o coração, como você verá adiante. 

A palavra desafio não foi usada por mera força de expressão. Em nota a SAÚDE, a Abia reconhece que não é tarefa das mais singelas restringir o sódio devido às suas funções de conservar e dar textura aos alimentos, bem como atuar no controle microbiano de queijos, embutidos e defumados. No entanto, a meta é clara: no prazo de dois anos, muito sódio deve cair fora dos pães, das massas prontas, das bolachas... "Percebemos que as pessoas até tiram o sal no momento de temperar, mas não enxergam a necessidade de tomar cuidado com os industrializados", diz o cardiologista Heno Lopes, do Instituto do Coração de São Paulo, o Incor. 

A questão é que, mesmo quando esse compromisso for concluído, ninguém estará autorizado - como não está hoje - a cometer excessos. Sódio em demasia é um dos principais fatores por trás da pressão alta, condição que vitima pelo menos 30 milhões de brasileiros e que, se não for tratada, propicia infartos e derrames. 

Só que as desordens impulsionadas pelas altas taxas do ingrediente não param por aí. Como você entenderá nos infográficos desta reportagem, esse mau hábito colaboraria para pedras nos rins, osteoporose, ganho de peso... Sim, quilos a mais! A começar pelo fato de que gera retenção de líquido e aquele inchaço que tanto incomoda a aparência. "Além disso, indivíduos que exageram em itens cheios de sódio tendem a ter mais sede e, hoje em dia, costumam apelar para bebidas muito calóricas", aponta o endocrinologista Alfredo Halpern, do Hospital das Clínicas de São Paulo. De deslize em deslize o ponteiro da balança vai subindo. 

Não bastassem evidências de que sal e sódio em abundância desgovernam vários fenômenos dentro do corpo, ainda existem algumas teorias para explicar suas ameaças potenciais. No caso do peso, por exemplo, há um time de cientistas americanos que acredita que o mineral possa interferir em áreas do cérebro que regem a vontade de comer, contribuindo, assim, para a obesidade. 

Outra suspeita recai sobre o elo entre a ingestão exacerbada e tumores, sobretudo no sistema digestivo. Uma investigação capitaneada pela Universidade do Porto, em Portugal, revelou que pacientes com câncer de estômago apresentavam um consumo de sal superior ao mensurado em pessoas livres da doença. "Ainda desconhecemos os mecanismos que respondem por essa associação, mas já se pensa que o sal cause danos na mucosa gástrica", diz a epidemiologista portuguesa Bárbara Peleteiro. Ele abriria brechas para bactérias ou substâncias do cigarro, por exemplo, semearem um câncer ali. 

Como escapar das armadilhas 

Motivos não faltam para botar o saleiro de escanteio e ainda maneirar no que está exposto nas prateleiras dos supermercados - isto é, no sódio oculto. Só que em algumas situações parece quase impossível não cair na cilada. Pensemos em um restaurante japonês e no costume de mergulhar sushi e sashimi no molho de soja. Como contorná-lo? "Use a versão light do tempero, mas sem dobrar a dose, e evite submergir o alimento totalmente no recipiente", orienta a nutricionista Ana Paula Fioretti, da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista. 

Outro contexto propício para ataques salgados de gula é o churrasco. Saiba, porém, que dá para minguar o teor de sódio nas carnes. Se você é adepto do sal grosso, não pese a mão e, depois de polvilhar a peça, retire o excesso. Ainda há uma receita para ganhar sabor e economizar cloreto de sódio. "Pode-se deixar a carne imersa em um molho feito de vinho, vinagre, alho, cebola e ervas até que o tempero seja absorvido. Isso vai diminuir, mais tarde, a necessidade de usar muito sal", recomenda a nutricionista Ana Beatriz de Oliveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. "O ideal é lançar mão de tomilho e endro nas carnes vermelhas e do alecrim nas aves", completa sua colega Vanuska Lima da Silva, da mesma instituição. 

Quanto aos industrializados, cabem algumas considerações, até porque eles continuarão presentes no dia a dia. O norte, nesse sentido, é priorizar, sempre que possível, os alimentos naturais - trocando o suco em pó pelo de frutas frescas, o bolo e a sopa de pacote pelas versões caseiras... "No caso do macarrão instantâneo, um dos campeões em sódio, o problema está no tempero. Você pode substituí-lo por um refogado de alho, cebola e orégano", exemplifica o nefrologista Dante Giorgi, do Incor. O mesmo raciocínio se aplica à massa tradicional. Em vez de prepará-la com o extrato de tomate, invista no molho feito em casa - dá mais trabalho, mas as taxas de sódio despencam. E lembre-se de olhar os rótulos. "Desconfie do que é muito barato, porque geralmente a matéria-prima é inferior e a receita vem mais carregada do ingrediente", diz Giorgi. Pitadas de senso crítico caem muito bem para resguardar seu corpo.

* A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação e o Ministério da Saúde firmaram um acordo para reduzir, até 2014, o teor de sódio de uma porção de alimentos. Estão na mira 16 categorias de comida, com destaque para o pão francês, salgadinhos, preparo para bolos, biscoitos, maionese e massas instantâneas. A diminuição da substância será gradual.

Fonte: REVISTA SAUDE, por por Diogo Sponchiato e Thaís Manarini 

domingo, 1 de julho de 2012

Comer rápido engorda - Emagreça com Saúde!


A fome anda de mãos dadas com os quilos a mais. E não só porque se ingere mais comida, como você vai ver a seguir.

Você leva a primeira garfada à boca e começa a mastigar. Que delícia! O prazer de saborear um bom prato, porém, faz acelerar o ritmo da comilança. Eis a grande armadilha: não esperar pelo menos 20 minutinhos para que o cérebro entenda que você já está satisfeito. Só quando cai a ficha lá na massa cinzenta, é que entra em cena o PYY, o hormônio da saciedade. "Está mais do que comprovado: quem mastiga com calma, em vez de encarar as refeições como um rali de velocidade, certamente come porções menores", informa o pesquisador Hiroyasy Isso, que investiga assuntos relacionados à obesidade no Departamento de Medicina da Universidade de Osaka, no Japão.

Em outras palavras, é uma questão de comportamento, conforme aponta seu estudo. Juntamente com seus colegas de equipe, Hiroyasy Isso recrutou 1.122 homens e 2.165 mulheres com idades entre 30 e 69 anos. Passou, então, a indagar sobre seus hábitos à mesa, levando em conta também o índice de massa corporal de cada um deles. Os estudiosos descobriram que praticamente a metade dos varões e um pouco mais da metade das voluntárias só paravam de comer após se sentirem completamente saciados. Em comum, eles compatilhavam este perfil: eram o que se pode chamar de comedores rápidos.

A etapa seguinte foi comparar esses dois grupos com os participantes que não iam com tanta sede ao pote, por assim dizer. Resultado: os homens e as mulheres que comeram até não ter mais um pingo de vontade tinham duas vezes mais probabilidade de chegar ao sobrepeso. Esse risco aumentava três vezes entre os que comiam até a satisfação total e ainda por cima o faziam rapidamente. "A combinação desses dois tipos de comportamento têm efeito considerável no ganho de peso", conta Isso.

Nem só as atitudes à mesa, no entanto, explicam essa relação. "Sabemos que há um mecanismo genético que nos leva a comer além da conta como forma de garantir um suprimento de energia enquanto ela está disponível", continua o cientista japonês. E ele finaliza: "Também contribui para o consumo desnecessário de calorias o fato de que muita gente hoje em dia come distraído, sem prestar atenção no que está pondo no prato."

Bem, se você se identifica com esses casos, compare seu comportamento à mesa com o dos seus amigos ou familiares e responda francamente:

1. Você continua mordiscando petiscos ou pães do couvert depois de terminar a refeição só para acompanhar os outros?

2. Você mantém guloseimas à vista no escritório ou na sala de casa?

Bem, responder sim a uma só pergunta já indica que é preciso mudar de comportamento, sob pena de disparar o ponteiro da balança ladeira acima. E quanto ao peso da genética nessa história, ninguém aqui vai subestimá-la, mas já se sabe que o estilo de vida é capaz de ativar no nosso corpo os genes que previnem várias doenças - a obesidade entre elas. Mais um motivo para adotar hábitos saudáveis!

Fonte: Revista SAUDE

sábado, 9 de junho de 2012

Sono irregular aumenta risco de obesidade


Pesquisa indica riscos de desenvolver diabetes e obesidade pela falta de sono ou de padrões de sono que contrariam o relógio biológico.

Má notícia para quem dorme pouco ou em horários irregulares. Uma nova pesquisa indica que a falta de sono ou padrões de sono que contrariam o relógio biológico humano podem aumentar o risco de desenvolver diabetes e obesidade.

O estudo, feito por cientistas da Harvard Medical School e do Brigham and Women's Hospital, nos Estados Unidos, foi publicado no dia 11 de abril na revista Science Translational Medicine.

Os pesquisadores avaliaram 21 voluntários saudáveis em um ambiente controlado durante seis semanas. Foram regulados fatores como horas de sono, em que período do dia os participantes dormiam, dieta e outras atividades. A ideia foi simular situações que levam ao sono irregular, como turnos de trabalho alternados (diurno e noturno) ou jet lag recorrente.

Inicialmente os participantes dormiram cerca de 10 horas por noite. Em seguida, passaram três semanas com média de 5,6 horas dormidas a cada 24 horas, com períodos de sono alternados, de modo a simular trocas de turno. Para terminar, os voluntários passaram os últimos nove dias da pesquisa dormindo períodos normais e à noite.

Os cientistas observaram que a interrupção prolongada do sono normal e do ritmo circadiano afetou a produção de insulina nos voluntários, levando ao aumento de glicose no sangue. Em alguns casos, a elevação atingiu níveis considerados pré-diabéticos.

Os participantes também apresentaram importante queda em suas taxas metabólicas, que, segundo os autores do estudo, pode ser traduzida em um ganho de peso superior a 4,5 quilos por ano.

A boa notícia é que o estudo verificou que os efeitos danosos puderam ser revertidos em grande parte com a volta do sono para padrões normais. Os pesquisadores ressaltam que os voluntários não se exercitaram durante o período do estudo e pretendem avaliar no futuro interações entre sono, dieta e exercícios.

Fonte: EXAME

O bebê está com sobrepeso? A maioria das mães não sabem dizer!


Recente pesquisa testou a capacidade de 281 mães de crianças entre 12 e 32 meses de avaliar a saúde dos seus filhos, levando em conta apenas peso e altura. 

Foi apresentado para elas uma série de silhuetas representando crianças na idade do filho delas, e elas foram solicitadas a identificar qual silhueta correspondia melhor ao perfil de seus filhos.

Os números da pesquisa são os seguintes: 30% das crianças foram consideradas com sobrepeso pelos pesquisadores. 70% das mulheres erraram ao associar uma silhueta aos filhos delas, significando que a silhueta escolhida era dois números maior ou menor que o filho delas.

As mães das crianças mais magras eram as que melhor acertavam o tamanho das crianças com a silhueta. 70% das mães com filhos considerados saudáveis e 80% das mães com filhos com sobrepeso estavam satisfeitas com o tamanho de seus filhos. 4% das mães de filhos com sobrepeso achavam que seus filhos deveriam ser maiores.

A pesquisa foi feita com lares de baixa renda e as mães, em sua maioria, também tinham sobrepeso. A avaliação incorreta que as mães fazem do peso dos próprios filhos não é algo sem consequências, visto que uma criança que tenha sobrepeso antes dos 5 anos provavelmente será um adolescente obeso e terá problemas de saúde mais tarde, associados à obesidade.

Dois fatores podem estar por trás destas estatísticas. O primeiro deles é a crença errônea que crianças gordinhas são crianças saudáveis. O segundo fator é que o número de crianças com sobrepeso está aumentando, o que faz com que as crianças saudáveis pareçam, na verdade, magrinhas e deficientes.

O resultado é que tem muitos pais que estão insistindo para que seus filhos comam mais e ganhem peso quando na verdade eles estão com peso e altura saudáveis para sua idade.

O conselho dos pesquisadores é que os médicos tenham um diálogo com os pais sobre o peso das crianças: 74% das mães de crianças com sobrepeso disseram que nenhum médico jamais falou com elas sobre o peso das crianças. Além disso, a avaliação da criança deve envolver peso e altura ao mesmo tempo, para ajudar a mãe a ter uma ideia da situação real em que se encontra seu filho.

No Brasil, a obesidade infantil está chamando atenção das autoridades e dos médicos: também estamos sofrendo com uma epidemia, a exemplo dos gringos. Esta epidemia inspirou já várias matérias jornalísticas e um programa do governo de combate à obesidade infantil.

Estima-se que um em cada 3 estudantes entre 5 e 9 anos está com sobrepeso, e 1 em cada 5 jovens entre 10 e 19 anos também. A estatística ainda aponta que os números da obesidade aumentaram em 300% nos últimos 30 anos.

Fonte: HYPESCIENCE

Excesso de peso favorece o ronco e problemas como apneia do sono


Gordura corporal comprime a garganta e torna a respiração mais difícil. Saiba quais são os grupos de risco, sintomas e tratamentos do distúrbio.

Controlar o peso pode ser fundamental não só para evitar problemas como colesterol alto e diabetes, mas também para não roncar. Isso porque o excesso de gordura corporal aumenta também os músculos da língua e o volume ao redor da traqueia, comprimindo a garganta e tornando a respiração mais difícil, principalmente durante o sono, quando o corpo está relaxado e o estímulo do cérebro para respirar diminui.

Segundo o endocrinologista Alfredo Halpern e a pneumologista Lia Bittencourt, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a maioria dos pacientes com apneia tem a garganta (faringe) estreitada e com um formato mais arredondado, devido ao acúmulo de gordura na região e à posição da mandíbula e do maxilar, que se projetam para trás.
Quando a respiração é interrompida, a pessoa desperta – sem necessariamente recuperar a consciência e abrir os olhos.

As pausas respiratórias costumam demorar mais de 10 segundos e são consideradas anormais quando ultrapassam a frequência de cinco por hora.
O músculo da garganta também fica mais flácido com o envelhecimento, o consumo excessivo de álcool, o fumo, o sedentarismo e o uso de remédios sedativos. Para evitar o problema durante à noite, dormir de lado e de bruços ajuda.

Para o tratamento, existem dois aparelhos de pressão que são colocados nas vias aéreas, por meio de uma máscara: o CPAP e o Bipap. O primeiro joga ar em alta velocidade para desobstruir a garganta e ajudar o ar entrar com o mesmo nível de pressão na inspiração e na expiração.

No Bipap, a pressão de ar na inspiração é maior do que na expiração. Essa diferença facilita o movimento do tórax e ventila mais o indivíduo. O Bipap é indicado para casos mais graves e quando há outras doenças associadas, como bronquite crônica, obesidade grave e doenças neuromusculares.

Outros sintomas da apneia
- Sono agitado
- Aumento da micção de madrugada
- Sonolência excessiva durante o dia
- Alterações na memória e no raciocínio
- Impotência sexual

Fonte: BEM ESTAR

Obesidade entre jovens alistados no Exército triplicou em 30 anos


O número de jovens paulistas obesos mais que triplicou nos últimos 30 anos, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Dante Pazzanese, unidade de referência em cardiologia da Secretaria da Saúde estadual.

De 1978 a 2008, a quantidade de homens que, ao se alistarem no Exército, estava com sobrepeso em nível de obesidade subiu de 0,9% para 2,8%.

O levantamento analisou a ficha de alistamento de 2,54 milhões de paulistas, jovens que estão em início da vida adulta quando se apresentam para o serviço militar.

Um adulto é considerado obeso quando atinge um IMC (índice de massa corpórea) maior do que 30. Esse resultado é obtido a partir da divisão do peso pela altura, elevada ao quadrado (IMC=P/H²).

Segundo o médico da Divisão de Nutrição Clínica do instituto, Daniel Magnoni, esse aumento se deve principalmente ao estímulo do aleitamento artificial, em detrimento do aleitamento materno, ao maior sedentarismo durante a infância e à elevação do consumo de fast food, com conseqüente redução da ingestão de alimentos mais saudáveis.

"O jovem brasileiro deixou de comer arroz e feijão para se alimentar mais de massas e de doces", disse o médico.

Magnoni lembra que, além de reduzir a qualidade e expectativa de vida desses jovens, a obesidade aumenta o risco do desenvolvimento de diabetes, hipertensão, doenças do coração e acidentes vasculares.

Como sugestão para a solução deste problema, ele aponta a implantação da educação nutricional na pré-escola, o aumento de atividade física e a desoneração de imposto dos alimentos naturais, como frutas e verduras.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

Entenda o índice glicêmico dos alimentos


O Índice Glicêmico (IG) é um método que foi proposto em 1981 pelo Dr. David Jenkins, que indica um fator que diferencia os carboidratos e está relacionado com o nível de açúcar no sangue.

Nas décadas de 1960 e 1970 houve uma tendência de considerar os carboidratos como fator importante para o ganho de peso, desviando-se a atenção da gordura para o carboidrato, na hipótese de um nutriente atuar como principal promotor do excesso de ingestão energética e ganho de peso. Já nas décadas de 1980 e 1990, inúmeros ensaios foram realizados para avaliar a resposta glicêmica produzida pelas diferentes fontes de carboidrato, principalmente pelo amido em diversos países.

Assim, mais recentemente o alvo tem sido o papel do chamado índice glicêmico dos alimentos sobre a obesidade e as doenças a ela relacionadas.

Sempre que ingerimos carboidratos, estes entram na corrente sanguínea com diferentes velocidades. Com base nesse fato, é possível classificá-los: quanto mais rápido o seu ingresso, maior será a libertação de insulina pelo pâncreas, pois o corpo tenta equilibrar os níveis de açúcar.

Carboidratos - Os vários alimentos que são fonte de carboidrato levam a diferentes respostas glicêmicas (nível de açúcar no sangue) e o índice glicêmico é definido a partir dessa resposta da glicose pós-prandial (pós-alimentação), em comparação a um alimento padrão (que pode ser a glicose ou o pão branco). De maneira geral, os fatores que influenciam na resposta glicêmica são: a natureza do amido (amilose e amilopectina), a quantidade de monossacarídeos (frutose, galactose), a presença de fibras, a cocção ou o processamento, o tamanho das partículas, a presença de fatores antinutricionais (fitatos) e a proporção de macronutrientes (proteína e gordura).

Alimentos que afetam pouco a resposta de insulina no sangue são considerados de baixo valor glicêmico e os que afetam muito, de alto valor glicêmico.

Com a redução do índice glicêmico da dieta, tem-se menor demanda insulínica e melhor manutenção da glicemia. Estes fatores claramente têm importante papel na prevenção e no tratamento das doenças crônicas como obesidade, diabetes, doenças cardíacas e até alguns tipos de câncer. Na primeira hora depois de uma refeição de alto índice glicêmico (início do período pós-prandial), a concentração de glicose pode ser o dobro da encontrada após uma refeição de baixo índice glicêmico, com os mesmos nutrientes e com mesma quantidade de calorias.

Esta relativa hiperglicemia estimula a secreção de insulina (hormônio responsável pelo metabolismo da glicose), que leva a um maior acúmulo de gordura. Após as duas primeiras horas da refeição de alto índice glicêmico, não se tem mais absorção, mas os efeitos da hiperinsulinemia persistem, resultando numa brusca queda da glicemia e podendo levar a sensação de fome após um curto período da realização da última refeição.

Resumindo: dietas de baixo índice glicêmico (rica em alimentos integrais e verduras) podem ser uma alternativa não só para pacientes obesos, mas também para portadores de outras doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e colesterol alto. Por isso, a reeducação alimentar é de extrema importância.

Índices Glicêmicos

Alguns alimentos e seus respectivos índices glicêmicos:

Iogurte sem sacarose (27)
Frutose (32)
Lentilhas (38)
Leite desnatado (46)
Iogurte com sacarose (48)
Maçã (52)
Pêra (54)
Sopa de tomate (54)
Suco de maçã (58)
Espaguete (59)
All Bran (60)
Laranja (62)
Arroz parboilizado (68)
Feijão cozido (69)
Inhame (73)
Suco de laranja (74)
Kiwi (75)
Batata doce (77)
Aveia (78)
Pipoca (79)
Arroz integral (79)
Manga (80)
Arroz branco (81)
Banana (83)
Sopa de feijão (84)
Chocolate (84)
Bolos (87)
Sacarose (87)
Biscoitos (90)
Cuscuz (93)
Milho (98)
Crackers (99)
Farinha de trigo (99)
Pão branco (100)
Mel (104)
Trigo cozido (105)
Batata frita (107)
Tapioca (115)
Batata cozida (121)

Fonte: GALLOP, Rick. A dieta do índice glicêmico. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 144p., Por Bruna Iasia, Webrun