domingo, 1 de julho de 2012

Comer rápido engorda - Emagreça com Saúde!


A fome anda de mãos dadas com os quilos a mais. E não só porque se ingere mais comida, como você vai ver a seguir.

Você leva a primeira garfada à boca e começa a mastigar. Que delícia! O prazer de saborear um bom prato, porém, faz acelerar o ritmo da comilança. Eis a grande armadilha: não esperar pelo menos 20 minutinhos para que o cérebro entenda que você já está satisfeito. Só quando cai a ficha lá na massa cinzenta, é que entra em cena o PYY, o hormônio da saciedade. "Está mais do que comprovado: quem mastiga com calma, em vez de encarar as refeições como um rali de velocidade, certamente come porções menores", informa o pesquisador Hiroyasy Isso, que investiga assuntos relacionados à obesidade no Departamento de Medicina da Universidade de Osaka, no Japão.

Em outras palavras, é uma questão de comportamento, conforme aponta seu estudo. Juntamente com seus colegas de equipe, Hiroyasy Isso recrutou 1.122 homens e 2.165 mulheres com idades entre 30 e 69 anos. Passou, então, a indagar sobre seus hábitos à mesa, levando em conta também o índice de massa corporal de cada um deles. Os estudiosos descobriram que praticamente a metade dos varões e um pouco mais da metade das voluntárias só paravam de comer após se sentirem completamente saciados. Em comum, eles compatilhavam este perfil: eram o que se pode chamar de comedores rápidos.

A etapa seguinte foi comparar esses dois grupos com os participantes que não iam com tanta sede ao pote, por assim dizer. Resultado: os homens e as mulheres que comeram até não ter mais um pingo de vontade tinham duas vezes mais probabilidade de chegar ao sobrepeso. Esse risco aumentava três vezes entre os que comiam até a satisfação total e ainda por cima o faziam rapidamente. "A combinação desses dois tipos de comportamento têm efeito considerável no ganho de peso", conta Isso.

Nem só as atitudes à mesa, no entanto, explicam essa relação. "Sabemos que há um mecanismo genético que nos leva a comer além da conta como forma de garantir um suprimento de energia enquanto ela está disponível", continua o cientista japonês. E ele finaliza: "Também contribui para o consumo desnecessário de calorias o fato de que muita gente hoje em dia come distraído, sem prestar atenção no que está pondo no prato."

Bem, se você se identifica com esses casos, compare seu comportamento à mesa com o dos seus amigos ou familiares e responda francamente:

1. Você continua mordiscando petiscos ou pães do couvert depois de terminar a refeição só para acompanhar os outros?

2. Você mantém guloseimas à vista no escritório ou na sala de casa?

Bem, responder sim a uma só pergunta já indica que é preciso mudar de comportamento, sob pena de disparar o ponteiro da balança ladeira acima. E quanto ao peso da genética nessa história, ninguém aqui vai subestimá-la, mas já se sabe que o estilo de vida é capaz de ativar no nosso corpo os genes que previnem várias doenças - a obesidade entre elas. Mais um motivo para adotar hábitos saudáveis!

Fonte: Revista SAUDE

sábado, 9 de junho de 2012

Sono irregular aumenta risco de obesidade


Pesquisa indica riscos de desenvolver diabetes e obesidade pela falta de sono ou de padrões de sono que contrariam o relógio biológico.

Má notícia para quem dorme pouco ou em horários irregulares. Uma nova pesquisa indica que a falta de sono ou padrões de sono que contrariam o relógio biológico humano podem aumentar o risco de desenvolver diabetes e obesidade.

O estudo, feito por cientistas da Harvard Medical School e do Brigham and Women's Hospital, nos Estados Unidos, foi publicado no dia 11 de abril na revista Science Translational Medicine.

Os pesquisadores avaliaram 21 voluntários saudáveis em um ambiente controlado durante seis semanas. Foram regulados fatores como horas de sono, em que período do dia os participantes dormiam, dieta e outras atividades. A ideia foi simular situações que levam ao sono irregular, como turnos de trabalho alternados (diurno e noturno) ou jet lag recorrente.

Inicialmente os participantes dormiram cerca de 10 horas por noite. Em seguida, passaram três semanas com média de 5,6 horas dormidas a cada 24 horas, com períodos de sono alternados, de modo a simular trocas de turno. Para terminar, os voluntários passaram os últimos nove dias da pesquisa dormindo períodos normais e à noite.

Os cientistas observaram que a interrupção prolongada do sono normal e do ritmo circadiano afetou a produção de insulina nos voluntários, levando ao aumento de glicose no sangue. Em alguns casos, a elevação atingiu níveis considerados pré-diabéticos.

Os participantes também apresentaram importante queda em suas taxas metabólicas, que, segundo os autores do estudo, pode ser traduzida em um ganho de peso superior a 4,5 quilos por ano.

A boa notícia é que o estudo verificou que os efeitos danosos puderam ser revertidos em grande parte com a volta do sono para padrões normais. Os pesquisadores ressaltam que os voluntários não se exercitaram durante o período do estudo e pretendem avaliar no futuro interações entre sono, dieta e exercícios.

Fonte: EXAME

O bebê está com sobrepeso? A maioria das mães não sabem dizer!


Recente pesquisa testou a capacidade de 281 mães de crianças entre 12 e 32 meses de avaliar a saúde dos seus filhos, levando em conta apenas peso e altura. 

Foi apresentado para elas uma série de silhuetas representando crianças na idade do filho delas, e elas foram solicitadas a identificar qual silhueta correspondia melhor ao perfil de seus filhos.

Os números da pesquisa são os seguintes: 30% das crianças foram consideradas com sobrepeso pelos pesquisadores. 70% das mulheres erraram ao associar uma silhueta aos filhos delas, significando que a silhueta escolhida era dois números maior ou menor que o filho delas.

As mães das crianças mais magras eram as que melhor acertavam o tamanho das crianças com a silhueta. 70% das mães com filhos considerados saudáveis e 80% das mães com filhos com sobrepeso estavam satisfeitas com o tamanho de seus filhos. 4% das mães de filhos com sobrepeso achavam que seus filhos deveriam ser maiores.

A pesquisa foi feita com lares de baixa renda e as mães, em sua maioria, também tinham sobrepeso. A avaliação incorreta que as mães fazem do peso dos próprios filhos não é algo sem consequências, visto que uma criança que tenha sobrepeso antes dos 5 anos provavelmente será um adolescente obeso e terá problemas de saúde mais tarde, associados à obesidade.

Dois fatores podem estar por trás destas estatísticas. O primeiro deles é a crença errônea que crianças gordinhas são crianças saudáveis. O segundo fator é que o número de crianças com sobrepeso está aumentando, o que faz com que as crianças saudáveis pareçam, na verdade, magrinhas e deficientes.

O resultado é que tem muitos pais que estão insistindo para que seus filhos comam mais e ganhem peso quando na verdade eles estão com peso e altura saudáveis para sua idade.

O conselho dos pesquisadores é que os médicos tenham um diálogo com os pais sobre o peso das crianças: 74% das mães de crianças com sobrepeso disseram que nenhum médico jamais falou com elas sobre o peso das crianças. Além disso, a avaliação da criança deve envolver peso e altura ao mesmo tempo, para ajudar a mãe a ter uma ideia da situação real em que se encontra seu filho.

No Brasil, a obesidade infantil está chamando atenção das autoridades e dos médicos: também estamos sofrendo com uma epidemia, a exemplo dos gringos. Esta epidemia inspirou já várias matérias jornalísticas e um programa do governo de combate à obesidade infantil.

Estima-se que um em cada 3 estudantes entre 5 e 9 anos está com sobrepeso, e 1 em cada 5 jovens entre 10 e 19 anos também. A estatística ainda aponta que os números da obesidade aumentaram em 300% nos últimos 30 anos.

Fonte: HYPESCIENCE

Excesso de peso favorece o ronco e problemas como apneia do sono


Gordura corporal comprime a garganta e torna a respiração mais difícil. Saiba quais são os grupos de risco, sintomas e tratamentos do distúrbio.

Controlar o peso pode ser fundamental não só para evitar problemas como colesterol alto e diabetes, mas também para não roncar. Isso porque o excesso de gordura corporal aumenta também os músculos da língua e o volume ao redor da traqueia, comprimindo a garganta e tornando a respiração mais difícil, principalmente durante o sono, quando o corpo está relaxado e o estímulo do cérebro para respirar diminui.

Segundo o endocrinologista Alfredo Halpern e a pneumologista Lia Bittencourt, do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a maioria dos pacientes com apneia tem a garganta (faringe) estreitada e com um formato mais arredondado, devido ao acúmulo de gordura na região e à posição da mandíbula e do maxilar, que se projetam para trás.
Quando a respiração é interrompida, a pessoa desperta – sem necessariamente recuperar a consciência e abrir os olhos.

As pausas respiratórias costumam demorar mais de 10 segundos e são consideradas anormais quando ultrapassam a frequência de cinco por hora.
O músculo da garganta também fica mais flácido com o envelhecimento, o consumo excessivo de álcool, o fumo, o sedentarismo e o uso de remédios sedativos. Para evitar o problema durante à noite, dormir de lado e de bruços ajuda.

Para o tratamento, existem dois aparelhos de pressão que são colocados nas vias aéreas, por meio de uma máscara: o CPAP e o Bipap. O primeiro joga ar em alta velocidade para desobstruir a garganta e ajudar o ar entrar com o mesmo nível de pressão na inspiração e na expiração.

No Bipap, a pressão de ar na inspiração é maior do que na expiração. Essa diferença facilita o movimento do tórax e ventila mais o indivíduo. O Bipap é indicado para casos mais graves e quando há outras doenças associadas, como bronquite crônica, obesidade grave e doenças neuromusculares.

Outros sintomas da apneia
- Sono agitado
- Aumento da micção de madrugada
- Sonolência excessiva durante o dia
- Alterações na memória e no raciocínio
- Impotência sexual

Fonte: BEM ESTAR

Obesidade entre jovens alistados no Exército triplicou em 30 anos


O número de jovens paulistas obesos mais que triplicou nos últimos 30 anos, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Dante Pazzanese, unidade de referência em cardiologia da Secretaria da Saúde estadual.

De 1978 a 2008, a quantidade de homens que, ao se alistarem no Exército, estava com sobrepeso em nível de obesidade subiu de 0,9% para 2,8%.

O levantamento analisou a ficha de alistamento de 2,54 milhões de paulistas, jovens que estão em início da vida adulta quando se apresentam para o serviço militar.

Um adulto é considerado obeso quando atinge um IMC (índice de massa corpórea) maior do que 30. Esse resultado é obtido a partir da divisão do peso pela altura, elevada ao quadrado (IMC=P/H²).

Segundo o médico da Divisão de Nutrição Clínica do instituto, Daniel Magnoni, esse aumento se deve principalmente ao estímulo do aleitamento artificial, em detrimento do aleitamento materno, ao maior sedentarismo durante a infância e à elevação do consumo de fast food, com conseqüente redução da ingestão de alimentos mais saudáveis.

"O jovem brasileiro deixou de comer arroz e feijão para se alimentar mais de massas e de doces", disse o médico.

Magnoni lembra que, além de reduzir a qualidade e expectativa de vida desses jovens, a obesidade aumenta o risco do desenvolvimento de diabetes, hipertensão, doenças do coração e acidentes vasculares.

Como sugestão para a solução deste problema, ele aponta a implantação da educação nutricional na pré-escola, o aumento de atividade física e a desoneração de imposto dos alimentos naturais, como frutas e verduras.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

Entenda o índice glicêmico dos alimentos


O Índice Glicêmico (IG) é um método que foi proposto em 1981 pelo Dr. David Jenkins, que indica um fator que diferencia os carboidratos e está relacionado com o nível de açúcar no sangue.

Nas décadas de 1960 e 1970 houve uma tendência de considerar os carboidratos como fator importante para o ganho de peso, desviando-se a atenção da gordura para o carboidrato, na hipótese de um nutriente atuar como principal promotor do excesso de ingestão energética e ganho de peso. Já nas décadas de 1980 e 1990, inúmeros ensaios foram realizados para avaliar a resposta glicêmica produzida pelas diferentes fontes de carboidrato, principalmente pelo amido em diversos países.

Assim, mais recentemente o alvo tem sido o papel do chamado índice glicêmico dos alimentos sobre a obesidade e as doenças a ela relacionadas.

Sempre que ingerimos carboidratos, estes entram na corrente sanguínea com diferentes velocidades. Com base nesse fato, é possível classificá-los: quanto mais rápido o seu ingresso, maior será a libertação de insulina pelo pâncreas, pois o corpo tenta equilibrar os níveis de açúcar.

Carboidratos - Os vários alimentos que são fonte de carboidrato levam a diferentes respostas glicêmicas (nível de açúcar no sangue) e o índice glicêmico é definido a partir dessa resposta da glicose pós-prandial (pós-alimentação), em comparação a um alimento padrão (que pode ser a glicose ou o pão branco). De maneira geral, os fatores que influenciam na resposta glicêmica são: a natureza do amido (amilose e amilopectina), a quantidade de monossacarídeos (frutose, galactose), a presença de fibras, a cocção ou o processamento, o tamanho das partículas, a presença de fatores antinutricionais (fitatos) e a proporção de macronutrientes (proteína e gordura).

Alimentos que afetam pouco a resposta de insulina no sangue são considerados de baixo valor glicêmico e os que afetam muito, de alto valor glicêmico.

Com a redução do índice glicêmico da dieta, tem-se menor demanda insulínica e melhor manutenção da glicemia. Estes fatores claramente têm importante papel na prevenção e no tratamento das doenças crônicas como obesidade, diabetes, doenças cardíacas e até alguns tipos de câncer. Na primeira hora depois de uma refeição de alto índice glicêmico (início do período pós-prandial), a concentração de glicose pode ser o dobro da encontrada após uma refeição de baixo índice glicêmico, com os mesmos nutrientes e com mesma quantidade de calorias.

Esta relativa hiperglicemia estimula a secreção de insulina (hormônio responsável pelo metabolismo da glicose), que leva a um maior acúmulo de gordura. Após as duas primeiras horas da refeição de alto índice glicêmico, não se tem mais absorção, mas os efeitos da hiperinsulinemia persistem, resultando numa brusca queda da glicemia e podendo levar a sensação de fome após um curto período da realização da última refeição.

Resumindo: dietas de baixo índice glicêmico (rica em alimentos integrais e verduras) podem ser uma alternativa não só para pacientes obesos, mas também para portadores de outras doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e colesterol alto. Por isso, a reeducação alimentar é de extrema importância.

Índices Glicêmicos

Alguns alimentos e seus respectivos índices glicêmicos:

Iogurte sem sacarose (27)
Frutose (32)
Lentilhas (38)
Leite desnatado (46)
Iogurte com sacarose (48)
Maçã (52)
Pêra (54)
Sopa de tomate (54)
Suco de maçã (58)
Espaguete (59)
All Bran (60)
Laranja (62)
Arroz parboilizado (68)
Feijão cozido (69)
Inhame (73)
Suco de laranja (74)
Kiwi (75)
Batata doce (77)
Aveia (78)
Pipoca (79)
Arroz integral (79)
Manga (80)
Arroz branco (81)
Banana (83)
Sopa de feijão (84)
Chocolate (84)
Bolos (87)
Sacarose (87)
Biscoitos (90)
Cuscuz (93)
Milho (98)
Crackers (99)
Farinha de trigo (99)
Pão branco (100)
Mel (104)
Trigo cozido (105)
Batata frita (107)
Tapioca (115)
Batata cozida (121)

Fonte: GALLOP, Rick. A dieta do índice glicêmico. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. 144p., Por Bruna Iasia, Webrun

Açúcar é tão perigoso quanto cigarro e álcool?


Este pó branco também mata? Que o açúcar engorda todo mundo sabe. Agora, um pesquisador americano diz que ele é perigoso como o cigarro e o álcool – e pode causar câncer

De tempos em tempos surgem estudos sobre alimentação que parecem ter sido criados com o objetivo de acabar com a graça da vida. Quase tudo o que a maioria das pessoas adora comer já foi condenado. Carne vermelha com doses generosas de gordura, ovos fritos de gema molinha, pipoca de cinema sem economia de sal, bombons de comer de joelhos... O jeito de conciliar prazer e vida saudável, dizem os médicos, é cair em tentação só de vez em quando. No caso do açúcar, no entanto, uma corrente médica afirma que nem moderação resolve. “Açúcar é veneno. Deveria ser considerado tão ruim e viciante quanto o cigarro e o álcool”, diz o endocrinologista Robert Lustig, da Universidade da Califórnia. “As pessoas comem doce em todas as refeições. Deveriam fazer isso, no máximo, uma vez por semana.” Lustig tornou-se conhecido fora do círculo acadêmico depois que o vídeo Sugar: the bitter truth (Açúcar: a verdade amarga) foi postado no YouTube, em 2009. Veja o vídeo no final dessa matéria. Desde então, mais de 1 milhão de pessoas assistiram à aula de 1 hora e 26 minutos pela internet. Por que Lustig tem conseguido tanta atenção?

A denúncia que ele faz não é nova. Em 1975, o jornalista americano William Dufty (morto em 2002) fez sucesso com o livro Sugar blues: o gosto amargo do açúcar.(Clique aqui e leia mais sobre o estudo de Dufty) Dufty defendia a ideia de que o açúcar é uma droga poderosa, viciante e capaz de provocar inúmeros males à saúde. Ele afirmava que a indústria conspirava para manter os americanos viciados no pó branco vendido legalmente. O argumento central do livro é de que uma pequena redução no consumo de açúcar é capaz de fazer qualquer pessoa se sentir melhor fisica e mentalmente. Radical, Dufty chegava a ponto de afirmar que a redução do consumo de açúcar nos manicômios poderia ser um tratamento eficaz para muitos pacientes. O livro vendeu 1,6 milhão de cópias, fez a cabeça de muita gente, mas o consumo de açúcar não caiu. Só aumentou.

Lustig se dedica a reunir e divulgar evidências contra o açúcar. É um agitador com uma única causa, e virou referência

Agora é diferente. Ao contrário de Dufty, o endocrinologista Lustig é uma voz respeitada na universidade. Além disso, desde os anos 1970 surgiram evidências científicas capazes de sustentar a tese de que os danos do açúcar vão muito além das gordurinhas a mais. Lustig tem se dedicado a reunir e divulgar evidências contra o açúcar. Tornou-se uma espécie de agitador e rebelde com uma única causa. E converteu-se em referência para todos que pensam como ele.

O principal argumento de Lustig é que a forma como o açúcar é metabolizado pelo organismo o torna muito perigoso. O açúcar de cana, tão popular no Brasil, é tecnicamente chamado de sacarose. Quando digerido, ele se transforma em glicose e frutose. Excesso de glicose é ruim, mas excesso de frutose parece ser muito pior. A frutose derivada do açúcar de cozinha e a frutose ultraconcentrada usada no xarope de milho que adoça os refrigerantes nos Estados Unidos são metabolizadas primeiro (e rapidamente) pelo fígado. Ele passa a trabalhar demais, o que pode levar a um fenômeno chamado de resistência à insulina. Ou seja: o fígado deixa de ser capaz de atuar na redução de glicose no sangue. As consequências para a saúde vão do diabetes tipo 2 à impotência sexual.

As frutas, as verduras e os legumes também contêm frutose, mas em quantidades muito menores. A frutose natural é saudável, porque vem acompanhada de vitaminas, minerais e fibras. Esses nutrientes garantem que a frutose seja absorvida lentamente pelo organismo. “A natureza limitou nosso acesso à frutose, mas o homem o facilitou”, disse Lustig a ÉPOCA. E como facilitou. O apreço do brasileiro pelo açúcar é histórico – vem desde o Brasil Colônia. Começamos o dia adoçando o café com leite, tomamos café adoçado ao longo do dia. Colocamos açúcar em suco de fruta e apreciamos sobremesas muito doces, como as compotas de frutas e o doce de leite. Temos o hábito de tomar refrigerante no almoço.

Para aplacar esse desejo, os produtores despejam mais de 10 milhões de toneladas de açúcar no mercado doméstico todo ano. Segundo Plinio Nastari, presidente da Datagro, consultoria do setor, a produção vem crescendo ano a ano. Na última safra, ficaram no Brasil quase 12 milhões de toneladas. Dividido pelo número de habitantes, isso sugere um consumo per capita de 62,9 quilos de açúcar por ano. Ou 5,1 quilos por mês, 1,2 quilo por semana, 172 gramas por dia. O consumo estimado a partir da safra não é um dado 100% confiável, mas outras fontes revelam que o consumo brasileiro só aumenta. E já supera o americano. Segundo uma estatística divulgada pela Organização Mundial da Saúde, cada brasileiro ingeriu, em média, 59,2 quilos de açúcar em 2005. Nos Estados Unidos, foram 31,3 quilos.

Mesmo levando em conta o açúcar de milho, comum nos Estados Unidos, o consumo americano fica em 52 quilos, ainda abaixo do brasileiro. “Deve-se dosar o consumo de açúcar. Aqui no Brasil, é comum adicionar açúcar até aos sucos”, afirma José Egidio Paulo de Oliveira, chefe do serviço de nutrologia e diabetes do Hospital Universitário da UFRJ. “Outra coisa muito consumida hoje são os refrigerantes. Há famílias que os consomem diariamente. Está errado.”

Como dizia o autor do livro Sugar blues nos anos 70, muita gente se sente dependente de açúcar depois de consumi-lo por anos. “Sou viciado. Só falta eu fazer uma carreirinha de açúcar e cheirar”, diz o radialista aposentado Marcio Barker. “Não passo um dia sequer sem comer doce. Sinto crise de abstinência e preciso parar o carro para procurar uma doceria.”

Quando tinha 1 ano de idade, Barker foi encontrado pela mãe embaixo da mesa da cozinha se lambuzando com o açucareiro. Aos 65 anos, é o “formigão” numa família que prefere o sal. Faz doce de leite em casa e passa o dia comendo guloseimas. Apesar disso, não é gordo (tem 1,84 metro e 85 quilos) e diz que tem níveis normais de triglicérides e glicemia.

Histórias como a de Barker despertam uma pergunta pertinente. Se o açúcar é tão ruim assim, por que alguns sortudos passam a vida se deliciando com ele sem sofrer mal nenhum? “Isso é um sinal de que as pessoas não respondem igualmente à ingestão de açúcar. A mesma coisa acontece com o álcool. Algumas pessoas são muito sensíveis, outras nem tanto”, afirma Frank Hu, professor de nutrição e epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard. “Elas podem ter genes que as protegem dos efeitos dessas substâncias. Ou podem ter um perfil metabólico diferente.”

Nem todas as pessoas têm a mesma sensibilidade. Há quem coma doce a vida toda e não sofra danos

Muita coisa ainda precisa ser elucidada. É por isso que os críticos de Lustig – entre eles a indústria alimentícia, é claro – dizem que seu erro é tratar como verdade evidências ainda não conclusivas. “A preocupação com a ingestão de frutose é injustificada”, diz David Klurfeld, do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos. “Do jeito que estão colocando a questão, parece que a ingestão de frutose em qualquer quantidade é perigosa. A maior parte dos animais, inclusive nós, os humanos, evoluiu para preferir sabores adocicados porque esse é um sinal de que o alimento é seguro para consumo.”

Mas Lustig não está sozinho em suas convicções. Muitos pesquisadores têm investigado como o açúcar age no organismo e chegado a conclusões interessantes. “Metade do açúcar que consumimos está nas bebidas como refrigerantes, sucos, bebidas energéticas e isotônicas”, diz o endocrinologista Luc Tappy, professor da Universidade de Lausanne, na Suíça. Tappy estuda como a ingestão de açúcar afeta a sensibilidade do corpo à insulina, o hormônio liberado pelo pâncreas que faz com que o açúcar entre nas células. De acordo com dados do Beverage Digest, publicação sobre a indústria de bebidas não alcoólicas, em 2008 as empresas dos Estados Unidos produziram 38 bilhões de litros de refrigerantes. É o suficiente para que cada americano beba, no mínimo, uma latinha de 350 mililitros por dia.

Por causa da presença marcante das bebidas adoçadas em nossa alimentação, elas são o parâmetro preferido dos pesquisadores para investigar os efeitos do açúcar sobre o organismo. Uma das pesquisas mais recentes publicadas sobre o assunto foi divulgada no mês de março. Ela faz parte do Intermap, um projeto de pesquisa com quase 5 mil pessoas espalhadas por Estados Unidos, Inglaterra, China e Japão. O estudo foi feito com 2.600 voluntários dessa amostra. Os participantes relataram aos cientistas tudo o que comeram e beberam por quatro dias. Fizeram exames de urina e mediram a pressão arterial oito vezes. Os pesquisadores da Escola de Saúde Pública do Imperial College, em Londres, descobriram que, para cada dose de bebida adocicada consumida pelos voluntários, havia um acréscimo de 1,6 mm Hg na pressão sistólica (quando o coração contrai) e 0,8 mm Hg na pressão diastólica (quando o coração relaxa). Conclusão: o açúcar contribui para a hipertensão.

Viciado em açúcar

Barker e os 62 quilos de açúcar que os brasileiros consomem por ano. “Sou viciado. Só falta fazer uma carreirinha de açúcar e cheirar”, diz
Outro estudo foi feito pela Universidade da Califórnia, na cidade de Davis. Ele mostrou que as bebidas adoçadas aumentam a gordura visceral, a mais perigosa para a saúde. Ela se acumula entre os órgãos do abdome e se solta facilmente, aumentando o risco de doenças cardiovasculares. Os cientistas adoçaram um daqueles sucos solúveis vendidos em pacotinhos, mas sem açúcar, com glicose ou com frutose. Dividiram os 32 voluntários em dois grupos e pediram para que cada grupo tomasse por oito dias, em todas as refeições, o suco fornecido pela equipe. Nem os pesquisadores nem os participantes sabiam qual dos sucos cada grupo estava tomando, se era o adoçado com glicose ou com frutose. Ao fim das oito semanas, os pesquisadores abriram os documentos que indicavam o que cada grupo havia ingerido e compararam os resultados. No grupo que tomou o suco com glicose, houve um aumento de 3,2% no volume de gordura visceral. No pessoal que ingeriu suco com frutose, o aumento no volume de gordura abdominal foi de 14%. Os cientistas também constataram que a sensibilidade à insulina diminuiu no grupo que tomou frutose. No índex que mede a sensibilidade ao hormônio, a sensibilidade média do grupo caiu 17%. No pessoal que tomou glicose, não houve diferenças significativas.

Esses índices sugerem que as pessoas que tomaram suco com frutose tinham mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares, como hipertensão e diabetes, que aumentam os riscos de sofrer infarto ou AVC. Esse conjunto de alterações é o que os médicos chamam de síndrome metabólica. Estudos feitos por outros pesquisadores mostraram que a ingestão de altas concentrações de frutose desencadeia outros fatores característicos da síndrome metabólica, como aumento da concentração de gordura no sangue. A equipe da fisiologista americana Karen Teff publicou em 2009 no Jornal de Endocrinologia Clínica e Metabolismo uma pesquisa que aponta para o aumento do nível de triglicérides no sangue após a ingestão de suco adoçado com frutose. Triglicérides são gorduras fabricadas pelo próprio corpo com base em nossa dieta. Níveis altos dessas gorduras também estão associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares. A equipe de Karen mediu os níveis dessa gordura no sangue de 17 voluntários depois da ingestão de sucos adoçados ora com frutose, ora com glicose. E descobriu que, quando os voluntários tomavam a solução com frutose, os níveis de triglicérides no sangue aumentavam quase 200% em comparação ao período pós-consumo de suco com glicose.

Para entender os mecanismos fisiológicos que fazem a frutose ter efeitos adversos sobre o organismo, os pesquisadores precisam reproduzir essas condições em animais de laboratório. Esses estudos mostram que a maior vítima das complicações causadas pela frutose é o fígado. É nesse órgão que a maior parte da frutose que ingerimos é processada. Quando as moléculas de frutose chegam ao nosso intestino, onde são absorvidas pela circulação, uma parte é processada pelas células do intestino. Mas boa parte vai para o fígado, um órgão que foi aperfeiçoado por milhões de anos para processar pequenas quantias de frutose – não as altas doses que o homem moderno ingere a partir dos produtos industrializados. Nosso corpo evoluiu para tirar maior proveito de outro tipo de açúcar: a glicose. Tanto que todas as células do organismo são capazes de processar essa molécula e obter energia a partir dela. A glicose é nosso combustível universal. Já a frutose é uma espécie de bônus (podemos viver perfeitamente bem sem ela). Por isso, quando as moléculas de frutose entram em cena, o fígado tem de se encarregar do trabalho (como um motor flex, ele é capaz de processar os dois combustíveis). O problema é que o jeito dele de processar a frutose é transformá-la em gordura. Isso explica por que os níveis de triglicérides aumentam no sangue. “Ao que tudo indica, a raiz dos efeitos adversos da frutose está na produção de gordura pelo fígado”, diz Tappy.

Para o médico Durval Ribas Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrologia, o açúcar não faz mal se não ultrapassar 100 gramas por dia. Especialmente quando se é saudável. “Se a pessoa não é obesa, não tem síndrome metabólica, não é diabética, vamos proibir em nome de quê?” Ribas compara o açúcar com outros alimentos com alto índice glicêmico, como o arroz branco, o pão branco e a batata. Eles também viram açúcar de absorção rápida no organismo e, se o açúcar tiver de ser tão restrito, o arroz e o pão terão de ser também.

Os estudos que mostram os efeitos adversos da frutose ainda levantam dúvidas. É muito difícil estudar os efeitos exatos do consumo de açúcar sobre o organismo (que dirá de um tipo de açúcar específico, como é o caso da frutose). Primeiro, porque nunca consumimos a frutose isoladamente (a não ser nas frutas, verduras e no mel). Quando ela é adicionada artificialmente aos produtos industrializados, vem ligada a moléculas de glicose (o açúcar preferido de nossas células). Por isso, é difícil estabelecer até que ponto as modificações no funcionamento do organismo se devem à ingestão de açúcar no geral e até que ponto são influenciadas pelas moléculas de frutose.

Em segundo lugar, a maior parte dos estudos são epidemiológicos. Isso significa que eles pegam uma grande fatia da população e tentam associar estatísticas de saúde a estatísticas comportamentais. A tarefa é complicada porque comportamentos não são isolados facilmente. Geralmente, pessoas que ingerem diariamente grandes quantidades de refrigerante têm outros hábitos pouco saudáveis, como o sedentarismo. Como dissociar um hábito do outro para apontar o tamanho de cada um sobre a epidemia de obesidade? Outro problema é que os estudos costumam procurar índices que sugerem doenças no futuro, como é o caso do aumento no nível dos triglicérides, e não as doenças em si. E não há garantias de que uma pessoa que tem níveis mais altos de triglicérides desenvolverá, de fato, doenças cardiovasculares. Os estudos poderiam levar a associações alarmistas.

Os pesquisadores já têm algumas evidências de que o excesso de açúcar pode provocar até mesmo câncer
Os estudos feitos com um número menor de pessoas, o que aumenta o controle dos pesquisadores sobre o comportamento dos participantes e poderia conferir resultados mais precisos, são controversos por outro motivo. Eles aumentam a confiabilidade da metodologia, mas não garantem que os dados encontrados sejam verdade para todo mundo. Quanto mais pessoas são estudadas, maior é a probabilidade de que aquelas conclusões possam ser aplicadas à maior parte da população.

Muitas vezes, estudos com seres humanos não bastam. Para explicar os mecanismos fisiológicos, os cientistas teriam de fazer procedimentos invasivos. Por isso, usam-se animais de laboratório. O problema é que, por mais que o organismo deles funcione de modo semelhante ao nosso, eles não são gente. E não há 100% de certeza de que os resultados encontrados nas cobaias sejam verdadeiros para os seres humanos. Apesar de todos esses obstáculos, os estudos dão sinais – que podem ser interpretados com alguma dúvida, algum titubeio, mas não devem ser ignorados.

E estudos recentes vêm reunindo novos sinais. Já há algumas evidências de que o excesso de açúcar pode provocar até câncer. Isso porque o excesso de insulina promove o crescimento tumoral. As células de muitos tipos de câncer dependem de insulina para crescer e se multiplicar. Quanto mais insulina circular no sangue, mais facilmente o câncer se desenvolve. Segundo os pesquisadores, muitas células pré-cancerosas jamais se transformariam em malignas se não tivessem insulina a seu dispor. “Eliminei o açúcar refinado de minha dieta. Acredito que essa é uma coisa que posso fazer para reduzir meu risco de ter câncer. Açúcar me assusta”, diz Lewis Cantley, diretor do centro de câncer da Escola de Medicina da Universidade Harvard.

Lustig ainda não chegou a esse ponto. Ele contou a ÉPOCA que, umas duas vezes por ano, escolhe um bom restaurante para saborear um pudim de pão de Nova Orleans ou um cheesecake ao estilo de Nova York.

As teses de Lustig e seus seguidores parecem fazer sentido. Infelizmente, é improvável que tenhamos uma conclusão definitiva nos próximos anos. Como Lustig faz questão de dizer, açúcar e xarope de milho certamente não são “toxinas agudas” do tipo que as autoridades sanitárias regulam e cujos efeitos podem ser observados em poucos dias ou meses. A questão é saber se eles são “toxinas crônicas”. Ou seja: eles não são tóxicos depois de uma refeição, mas talvez sejam depois de 1.000. Isso significa que estudos como os de Tappy deverão acompanhar os voluntários, no mínimo, por mais de 1.000 refeições. Só assim poderão ser considerados significativos. Até lá o farol amarelo permanece aceso.

Fonte: REVISTA EPOCA, por Cristiane Segatto, Marcela Buscato e Francine Lima. Com Luciana Vicária e Luíza Karam